Cada coisa a seu tempo, foi o que eu ouvi dizer. Mas esse tempo que não passa - e que por sinal não cura -, esta cada vez mais insuportável e difícil de lidar. O mundo deu voltas, mas as voltas que ele deu não me tirou do lugar, ainda estou parada, observando as coisas mudarem, girarem e saírem do lugar. Eu, por incrível que pareça, ainda me encontro na mesma esquina, desorientada, sorrindo para todos. Destinada a sorrir sempre, pra não demonstrar o que sinto, o que vejo, o que sei.De todas as maneiras que posso viver, escolhi viver as cegas, no escuro, fingindo que não sei e não enxergo mais nada. Sorrindo... Fingindo ter uma vida social saudável. Fingindo não ligar mais pro que o passado me amargurou, um passado que eu torço pro vento soprar de uma vez, pra bem longe de mim... Mas como um bumerangue, o vento acaba só trazendo tudo que eu quase não pensava de volta, e com mais força ainda. As lembranças devastam meu escudo e atinge o ponto mais fraco.
Quem me vê sorrindo não sabe, quem me conhece não repara, que eu ainda procuro todos os dias um motivo pra levantar a cabeça. Todos os dias eu luto, sem descansar. Eu luto, procurando por paz. E eu a encontro somente nas seis horas de sono que tenho por dia - nem sempre. Eu sempre soube que sofrer faria parte de viver, só não sabia que recomeçar é algo tão difícil, quase impossível. Mas então, eu sorrio... e aparentemente tudo está em paz.
" Quem conhece o sorriso de verdade. Sabe que nem todo palhaço é feliz. "
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